Parto Normal, Parto Natural e Parto Humanizado: São Iguais?

E então você chegou à conclusão de que o parto normal é a melhor escolha para você e seu bebê e ao pesquisar descobriu que tem um tal de parto natural e um parto humanizado e agora surge a dúvida: o que esses nomes querem dizer? São iguais? Qual é o melhor? Então vamos lá!

O parto normal quer dizer que será um parto vaginal. E ponto. É isso. Deveria ser normal. Deveria ser rotina. Deveria ser respeitado. Fomos feitas para parir dessa forma. Mas a história não é bem essa. E há muito tempo esse momento deixou de ser natural e passou a ser cheio de intervenções médicas completamente desnecessárias e contra as recomendações das organizações de saúde. Entre elas estão:

  • lavagem intestinal;
  • raspagem dos pêlos pubianos (tricotomia);
  • não ter liberdade de movimento durante o trabalho de parto;
  • não poder ingerir líquidos ou comer;
  • soro para acelerar as contrações (ocitocina sintética);
  • não poder escolher a posição para ter seu bebê (geralmente sendo obrigada a parir na posição ginecológica – litotomia);
  • anestesia (que interfere na evolução do trabalho de parto);
  • inúmeros toques vaginais;
  • rompimento da bolsa;
  • puxos dirigidos e forçados (equipe falando para fazer força quando a parturiente não sente vontade);
  • manobra de Kristeller (alguém empurrando a barriga da mulher);
  • corte no períneo (episiotomia);
  • corte precoce do cordão umbilical;
  • bebê separado da mãe para fazer os exames e tomar banho;

E o pior disso tudo? Um parto com todas essas intervenções, que hoje são classificadas como violência obstétrica, é considerado normal.

Nenhuma dessas intervenções citadas acima tem real necessidade em uma parturiente saudável com um bebê saudável. E mesmo que ela apresente algum risco tornando algumas delas necessárias, jamais deveriam ser praticadas de forma rotineira já que podem causar inúmeros malefícios.

Você sabia que a posição ginecológica é a pior para parir? Ela dificulta as contrações involuntárias do útero. Para solucionar esse problema – criado ali mesmo por não respeitar o natural, o fisiológico -, é necessário administrar hormônio sintético para acelerar essas contrações (ocitocina sintética). Sem liberdade para se movimentar e com a aceleração artificial das contrações, as dores do parto ficam mais intensas e entra em cena a anestesia. O coração do bebê tem queda dos batimentos cardíacos e é preciso acelerar seu nascimento. Como? Cortando o períneo (epsiotomia) e empurrando a barriga (manobra de kristeller), práticas já refutadas pela literatura científica, ou até mesmo indicando uma cesárea de emergência.

Então essa cascata de problemas é uma amostra da violência obstétrica que a parturiente está sofrendo e nem faz ideia, porque isso é considerado “normal”.

Mas vamos falar de coisa boa: o querido parto natural.

O parto natural é aquele sem essas intervenções desnecessárias. O trabalho de parto evolui de forma natural sem ser acelerado por hormônio sintético, assim a parturiente passa pelas fases de forma suportável e saudável para ela e para o bebê, não sendo necessária, na maioria das vezes, a anestesista (e quando tem real indicação, é aplicada uma analgesia que não tira o movimento das pernas e não interfere na evolução do trabalho de parto). A parturiente se movimenta, fica na posição que lhe é mais confortável. Na hora do nascimento, não é feito corte no períneo, não há puxo dirigido. Enfim, tudo flui de forma natural. Pode ser domiciliar ou hospitalar. Onde quiser. Lembrando que isso tudo é possível em uma gestação de baixo risco, claro.

E o parto humanizado?

O parto humanizado não é a via de nascimento, não é a questão de ser natural ou não. De ser na água ou não. De ser em casa ou não. É a questão do respeito. O respeito ao protagonismo da mulher naquele momento. O médico deve agir sempre com base científica e nunca em sua própria comodidade. Os profissionais envolvidos acompanham a fisiologia do parto e entendem as exigências e necessidades de cada mulher, respeitando o momento e não apenas clínicando com intervenções tecnológicas.

É proporcionado um ambiente agradável e confortável à mulher, respeitando suas vontades e sempre cuidando de sua saúde e do bebê, porém de forma respeitosa e não invasiva.

Obs: a LEI Nº 15.759, DE 25 DE MARÇO DE 2015 descreve o que é considerado humanizado no parto e o direito das mulheres nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) do estado de São Paulo.

Mas uma cesárea (com real indicação, hein?) pode ser humanizada? Pode sim. Ela pode ser mais humana quando as luzes ficam mais baixas, quando se coloca a música escolhida para aquele momento, quando os braços da mãe não ficam amarrados e ela pode tocar seu bebê que foi passado imediatamente para seu peito e colocado para mamar, quando é respeitado aquele momento de vínculo entre os dois, quando se espera o cordão umbilical parar de pulsar. E assim por diante.

OK. Já deu pra ter uma ideia de que o parto humanizado é o parto dos sonhos, certo? Então por que ele raramente acontece?

Porque os médicos se acostumaram com as intervenções. Se acostumaram a acelerar o parto para não ter que esperar demais. Se acostumaram a colocar a mulher na posição ginecológica porque é a mais confortável para ELES. Se acostumaram a deixar o ambiente que mais os agradam e não com o que é melhor para a saúde da mulher e do bebê. E principalmente porque ganham pouco e não querem ficar horas em um único parto. Triste, não é?

Então como conseguir um parto respeitoso e humanizado? Vamos às opções:

  1. Contratar equipe humanizada.
  2. Casa de parto (que infelizmente não existe em todas as cidades/estados).
  3. Escolher um hospital público que tenha ações mais próximos do que chamamos de humanizado e respeite seu plano de parto.
  4. Escolher uma maternidade particular que entenda as práticas humanizadas e respeite seu plano de parto. (a mais difícil das 3)

Na primeira opção – equipe humanizada – é certo que você terá seu parto dos sonhos se escolher bem sua equipe que é formada por Ginecologista Obstetra, Enfermeira Obstétrica ou Obstetriz e doula e se possível Neonatologista também. Você irá para o hospital, mas a equipe será sua e só ela poderá decidir sobre seu parto. O hospital cede as instalações cobertas pelo convênio. Como também pode ser realizado um parto domiciliar. É caro? É MUITO CARO. Mas VALE CADA CENTAVO. Se você tiver convênio, pode verificar a possibilidade de reembolso. Muitas mulheres conseguem 100% do valor pago. Mas vamos aos fatos: quanto custa realmente?

  • Ginecologista Obstetra: de R$6.000 a R$12.000.
  • Enfermeira Obstétrica: de R$2.500 a R$3.500.
  • Doula: de R$1.000 a R$2.500
  • Neonatologista: de R$3.000 a R$4.500

É isso. Se não tiver condições de ter uma equipe, contrate pelo menos a doula. Ela é essencial nesse momento. Te dará um suporte que mais ninguém será capaz.

Ps: lembrando que para o parto domiciliar a equipe pode ser menor: enfermeira obstétrica, sua assistente e doula. O médico fica como plano B caso precise de uma transferência.

Na segunda opção – casa de parto-, você terá graaaandes chances de ter um parto lindo. Se tiver uma gestação de baixo risco (sem cesárea anterior, único bebê, sem pressão alta, etc) poderá procurar uma casa de parto e ter seu bebê lá. Em São Paulo temos a casa de parto Sapopemba e a Casa Ângela (muuuuito recomendada). Se tiverem outras de outros estados e quiserem indicar, fiquem à vontade. Lá você poderá ter seu bebê de forma natural com muito respeito.

Na terceira opção – hospital público -, é um pouco mais difícil, mas possível. Há alguns hospitais com programas de incentivo ao parto natural de forma humanizada. Em São Paulo temos o Amparo Maternal, em Belo Horizonte o Sofia Feldman. Faça seu plano de parto, que é um documento onde irá constar todas as suas vontades como rejeição à epsiotomia, alimentação, posições, etc. E exija seus direitos. Vá visitar antes, leve o plano de parto, questione, se informe, verifique se estão cientes e se cumprem a lei 15.759. Lute pelo seu parto. Infelizmente aqui no Brasil ainda é uma verdadeira luta conseguir o parto natural humanizado. Mas uma luta que vale a pena.

Na quarta opção – hospital particular -, é um pouco mais complicado. Eles não só não respeitam nada relacionado ao parto humanizado como não tem capacidade para realizá-lo. Então parir com equipe plantonista será uma roleta russa. Pode ser que tenha uma equipe que vai te apoiar ou uma que vai te indicar uma cesárea e ponto. Mas pode ser feito a mesma coisa que foi recomendado para o hospital público: visite, questione, faça o plano de parto e exija seus direitos.

Quanto mais pessoas tiverem consciência de que as práticas realizadas nos chamados partos normais, são na verdade violência obstétrica contra a mãe e o bebê, mais forte será a luta para mudar essa triste realidade. A informação fará toda a diferença. Mas como eu disse no post Parto normal ou Cesárea? é um caminho sem volta. Uma vez que você tem consciência disso tudo não tem como voltar atrás e encarar com naturalidade qualquer ação desnecessária e perigosa no seu parto. Então vamos lutar por um parto digno. É um momento que deve ficar na memória com muito amor e carinho e não sofrimento.

Beijo da Cá.

Fontes: https://www.gestacaobebe.com.br/como-funciona-o-parto-humanizado/amp/

https://www.amanascer.com/diferencas-parto-natural-parto-normal/

https://bebe.abril.com.br/gravidez/entenda-como-e-o-parto-humanizado/amp/

https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2015/lei-15759-25.03.2015.html

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